Ypy, o primeiro tablet da Positivo

Nesta terça-feira, a Positivo Informática apresentou seu tablet Ypy ao mercado Brasileiro. Durante a demonstração do produto, tive a oportunidade de fazer alguns testes pontuais, abrindo aplicativos e observando o comportamento do dispositivo. Baseado nessa experiência, eu resolvi tecer alguns comentários.

Os dois aparelhos – tanto o de 7, quanto o de 9,7 polegadas – usam o padrão 4:3, similar ao do iPad, que é ótimo para livros, mas medíocre para vídeos. Algo “completamente compreensível”, uma vez que a companhia abriu uma loja virtual com mais de 5.000 e-books. Senti mais pelo Kindle do que pelo iPad ao descobrir isso.

Em seguida, entra a questão do hardware. Tirando o que é visualmente óbvio, é quase impossível saber o que existe dentro do aparelho, pois a Positivo não publicou todas as especificações. “Quase” porque o modelo não foi desenhado aqui, mas vem de kits desenvolvidos na China. Se pesquisarmos um pouco, é possível descobrir que a configuração mínima dele, o de 7 polegadas, é de 1,2 GHz (ARM) e 512 MB de RAM – o padrão para Androids 2.3 vindos do mercado chinês. As informações vieram de um crítico no Twitter. O Ypy de 9,7 polegadas ainda é um mistério.

Os tablets não são totalmente fabricados no Brasil, apenas montados em fábricas localizadas em Manaus e Curitiba. A maioria das peças, como telas e chips, é importada de outros países, enquanto que uma pequena parcela dos componentes é fabricada por aqui. De acordo com Hélio Rotenberg, presidente da Positivo, a empresa utilizou o mínimo de peças nacionais obrigatórias na montagem do dispositivo.

O resultado?  R$ 999 reais pelo modelo mais barato, o de 7 polegadas com Wi-Fi. Os outros modelos não foram precificados com a desculpa da variação constante do dólar (que realmente subiu na última semana). A previsão para o modelo com o tamanho do iPad e conectividade 3G é de R$ 1.290, mas nada confirmado.

Conclusão: O Ypy ainda é caro e leva nas costas o nome da Positivo que, apesar de ser a principal fabricante de computadores no país, tem seu nome associado a produtos de qualidade duvidosa (isso para ser ameno). Apesar desse fato, ele se comportou bem durante o rápido teste feito no evento de apresentação. Pelo menos a construção pareceu mais firme do que a do Asus Transformer que usei há duas semanas.

De acordo com a empresa, um dos principais atrativos para o público é o conteúdo em português. São mais de 300 aplicativos oferecidos em uma loja da Positivo, sem contar com os 5.000 livros disponíveis em outra loja própria. Aqui, tudo é uma questão de gosto.

Outro fato que chamou a atenção foi a customização do sistema. As cinco opções de tela do Android foram transformadas em categorias, como jogos, ferramentas, comunicação e revistas, por exemplo. A ordem e os nomes podem ser totalmente customizados, ou desativados, se o usuário quiser.

A verdade é que o Ypy (que significa “primeiro” em tupi-guarani) ainda não parece ser o tablet ideal, mas mostra que a indústria Brasileira está chegando perto de uma solução no mercado – mesmo se tratando de um kit desenvolvido no exterior. Talvez ele vire uma boa alternativa nas lojas, com promoções e opções de parcelamento em 10 ou 12 vezes sem juros. É bom lembrar que a Positivo investiu alguns anos de trabalho no projeto e no ecossistema, o que mostra que a companhia está disposta a apostar no produto.

One Comment

Add a Comment

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *