Game? Agora, só com historinha antes

Há tempos ouvimos falar sobre a convergência entre as mídias. A indústria de games resolveu que esse é um caminho interessante para transformar seus produtos em verdadeiros campeões de audiência. Mas, até onde essa história de misturar as coisa é válida?

Começou com os manuais de jogo. Alguns deles traziam apenas uma página discreta informando qual era a missão do jogador. Já era algum tipo de literatura. Alguém tem manuais originais da Blizzard? Diablo e Warcraft II, por exemplo? Esses sim lançaram uma tendência.

Meu primeiro contato com esse tipo de material (os bem elaborados) foi ao comprar o game Tie Fighter, da Lucas Arts. No pacote, vinha um livrinho com as primeiras aventuras de Mareek Stele, que contava a história da entrada do rapaz para o Império Galáctico. A tradução não era lá essa coisa, mas serviu bem. Com ela, descobri algumas coisas que me impulsionaram a procurar mais material sobre o universo estendido de Guerra nas estrelas.

Quando peguei a minha caixa de Diablo, estava longe de casa e no meio de uma feira de informática. Não havia chance de testar o jogo ali. Sentei para almoçar e abri o pacote. Dentro encontrei um manual fantástico com histórias que se misturavam com dicas sobre game. Sem conter as citações que apareciam nos cantos das páginas. Quase perdi a noção do tempo lendo aquilo. Aposto que alguém viu e comentou: “olha o nerd babaca lendo o manual do jogo e babando”.

O fato é que isso só deu mais vontade de jogar. Imagine se eu tivesse visto aquilo antes de comprar o jogo? E, logo em seguida, descobrisse que um game sobre o tema estaria próximo do lançamento Sim, eu sou empolgado com essas coisas.

Foi isso que a indústria de games descobriu. Já falei aqui sobre o Hellgate: London e sua estratégia de marketing. O quadrinho lançado pela Dark Horese é bem legal. Realmente faz com que você se sinta no clima para viver aventuras parecidas na tela. O mesmo com City of Heros, o massive multiplayers sobre heróis, da NC Soft. Diversas histórias sobre os NPCs principais certamente abriram o apetite dos fãs do gênero. Sem contar com os vídeos que antecederam a expansão/novo game City of Vilains.

Mass Effect, da Bioware, não contou com tantos recursos. Mas, no site oficial, você tinha descrições tão detalhadas dos alienígenas, que era quase impossível não querer encontrar um dentro do game. Chega a dizer que a genética da espécie A, difere em tais pontos da espécie B e, por isso, se A ingerir o mesmo tipo de alimento de B, o resultado seria um choque anafilático.

“Turian genetic code is based on dextro-amino acids. If they attempt to ingest human food, which is based on levo-amino acids, they may enter anaphylactic shock.”

As edições especiais de Halo 3 vieram com um DVD com animações. Todos sabem que esse material, cedo ou tarde, cai na rede e acaba alcançando outros gamers. Mais ou menos o efeito “Windows Pirata”. Mas Halo 3 é um caso a parte… rs

Quando soube que o novo game da EA, chamado Dead Space, iria ganhar quadrinhos e uma animação, nem me abalei. Acho que nós passamos a esperar por esse tipo de coisa e as novas gerações vão até estranhar se isso não acontecer. O jogo citado se passa no espaço. Milhares de colonos perdem a vida em o que parece ser uma invasão e, no melhor estilo DOOM, um guerreiro deve enfrentar as hordas de –inserir nome de alienígenas/demônios/aberrações – famintos.

A animação deve entrar na TV aberta dos EUA, mas, não demorar muito até que alguém jogue em um torrent ou suba os pedacinhos no YouTube e similares.

O contrário já não é moda

– O caso Matrix foi um dos mais bem sucedidos nesse campo da convergência, tirando o MMO Matrix Online, que não rendeu tanto assim. Junto com os filmes, você tinha games que completavam a história, junto com os episódios do Animatrix.

– Vários filmes são lançados junto com seus respectivos games. Alguns jogos saem até antes. O último exemplo está nas Crônicas de Spiderwick, mas ainda temos os games do Homem-Aranha e similares…

– Nem sempre a coisa funciona bem. Vide DOOM se a heresia que fizeram com a história, transformando demônios em aberrações geneticamente alteradas.

Teoricamente, os dois lados saem ganhando com isso. As empresas que ficam mais criativas e os usuários que conseguem um bom material para fomentar o desejo de saber tudo sobre o universo do jogo. Um ótimo casamento entre as mídias.

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